Design Circular

12:37
Hi guys!

Já começo pedindo desculpa pelo meu sumiço, mas esse mês foi bem corrido mesmo! Além de eu estar começando a BookBug (quem não conhece trate de correr lá no insta pra conferir, semana que vem vamos ter novidades nos produtinhos! @bookbugbr ), eu também fiz a façanha de quebrar a câmera do meu celular 😭 e ainda não tive tempo de mandar arrumar, sem contar que resolvi escrever um artigo para o colóquio de moda e estou super ansiosa, seria um sonho se fosse aceito <3

BUT, apesar de tudo isso, cá estou eu pra falar sobre um assunto bem legal com vocês, que é o design circular. Para isso, eu dei uma roubadinha no texto do Slow Down Fashion, porque eu realmente não teria muito tempo pra escrever pra vocês, mas também não queria deixar de mostrar esse assunto aqui!



Para entender o que é design circular, precisamos perceber como o design de produto ‘tradicional’ contribuiu para o desenvolvimento insustentável da economia linear, e o papel crucial de um novo olhar para o desenho industrial na transição para a economia circular.
Segundo a designer e pesquisadora Mônica Moura, “Design significa ter e desenvolver um plano, um projeto, significa designar. É trabalhar com a intenção, com o cenário futuro, executando a concepção e o planejamento daquilo que virá a existir”. Mais sucintamente, nas palavras do pioneiro Alexandre Wollner: “design é projeto”.

Agora que temos consciência das consequências negativas do modelo e da economia linear como um todo, é fundamental mudarmos os critérios que definem um bom design. Não podemos dizer que um produto é de boa qualidade se ele é tóxico para as pessoas ou para o planeta, e se os materiais usados na sua composição se transformam em lixo após o primeiro uso. Por isso, o desenho de produtos também precisa incluir critérios de circularidade e de saúde humana e ambiental.
Esse quadro é desafiador, mas traz uma enorme oportunidade de inovação através do design, em todas as indústrias. Assim como os designers contribuíram para o desenvolvimento da economia linear, eles têm o potencial de liderar a transição para uma economia circular.

Se o lixo é um erro de design, o design circular é um elemento crucial para criarmos um mundo sem lixo.  Ou seja, um mundo em que produtos e sistemas são projetados para manter o valor dos recursos em circulação para as gerações futuras. Em que, mais do que reduzir o impacto negativo de nossas atividades, podemos criar processos benéficos para os seres humanos e para a biosfera.
Os designers e fabricantes que quiserem se aventurar por este caminho não estarão sozinhos. Cada vez mais profissionais, empresas e organizações estão apostando neste modelo, e investigando os princípios que guiam a transição para um futuro circular.
No livro Cradle to Cradle, de 2002, William McDonough e Michael Braungart identificam 3 princípios de design que fundamentaram o desenvolvimento global do conceito de economia circular, ainda que na época isso não fosse ainda identificado pelo termo design circular.

Os autores se basearam no funcionamento dos sistemas naturais para fundamentar os três princípios para o desenho de produtos e sistemas eco-efetivos:
1.RESÍDUOS SÃO NUTRIENTES
Se a natureza funciona a partir de uma lógica cíclica, esta pode e deve ser mimetizada em nossos processos produtivos para utilizarmos efetivamente os recursos disponíveis. Na escala industrial e urbana, resíduos se tornam insumos para novos processos, e produtos e sistemas são pensados com o entendimento de que cada material tem o seu devido valor, que é recuperado ao final de cada ciclo de uso.
Para isso trabalha-se a distinção entre dois ciclos: o técnico e o biológico. Essa distinção é fundamental para o design circular, e é a base do famoso ‘gráfico borboleta’, desenvolvido por Braungart e McDonough para a Fundação Ellen MacArthur.

2.ENERGIA LIMPA E RENOVÁVEL

Os seres vivos, os sistemas naturais e planeta como um todo dependem da energia solar para sobreviver e prosperar. A energia solar tem uma entrada constante e infinita, que é substituída a todo momento, e por isso a denominamos de renovável – assim como outras fontes derivadas dela, como a eólica, hídrica ou de biomassa.
Para o design de produtos industriais, os fabricantes são encorajados a ir além da eficiência energética (minimização do consumo e redução de impactos). Ao se comprometer com o uso de energias renováveis durante o processo de fabricação, eles geram um efeito positivo e estimulam o desenvolvimento e disseminação de novas tecnologias para substituir os combustíveis fósseis finitos e poluentes.

3.CELEBRAR A DIVERSIDADE

 A diversidade é entendida como uma forma de fortalecer os diferentes sistemas e processos existentes em determinados locais. Sistemas mais diversos tendem a ser mais resilientes. Podemos falar em diversidade de espécies, de culturas ou ainda diversidade de soluções. Hoje em dia, a indústria utiliza soluções universais, que oferecem um mesmo produto para um número infinito de condições e costumes locais.
No lugar da imposição de um modelo único, o design circular tem o potencial de enriquecer a oferta de produtos e serviços pensados a partir das particularidades e demandas de cada público ou local.
( novo tecido > novo produto > nova vida > lixo devolva para a loja > inovação > novo tecido )
O projeto britânico The Great Recovery Project, desenvolvido entre 2012 e 2016 pela RSA em parceria com a Innovative UK, teve o foco de sua atuação a investigação dos desafios e oportunidades do desenho de produtos e sistemas para a economia circular. No relatório Investigating the Role of Design for the Circular Economy – Investigando o Papel do Design na Economia Circular – são identificados quatro modelos de design, que guiam abordagens complementares para esse processo de transição.
(1) O DESIGN PARA LONGEVIDADE inclui formas de estender o tempo de uso de um produto. Isso ocorre não apenas através de materiais e componentes duráveis, mas também pela possibilidade de serem facilmente consertados ou atualizados pelos próprios usuários.
(2) O DESIGN PARA SERVIÇO propõe a criação de novos modelos de negócios, em que produtos passam a ser serviços, e consumidores se tornam usuários. Isso beneficia tanto as empresas quanto seus clientes, e facilita a recuperação de componentes e materiais. O design para serviço já vem sendo implementado com sucesso em diversas áreas, fazendo com que as empresas se mantenham responsáveis pelo conserto e encaminhamento de equipamentos quando estes deixam de servir a seus usuários.
(3) Essa proposta facilita o terceiro modelo, que é o DESIGN PARA REMANUFATURA. Se a empresa é a responsável pelo destino de um produto, torna-se mais vantajoso concebê-lo de forma que possa ser mais facilmente desmontado, consertado e reutilizado ou revendido. Ou projetar componentes e materiais que possam ser aproveitados em diversas linhas de produtos.
(4) Por fim, o DESIGN PARA RECUPERAÇÃO DE MATERIAIS envolve o aproveitamento de materiais através da reciclagem, quando não possam mais ser aproveitados pelos modelos anteriores. Vale lembrar aqui que a avaliação criteriosa de cada um dos materiais que compõem um produto, na etapa de concepção e design, está diretamente ligada ao sucesso dessa estratégia. O design de materiais que possam ser reciclados sem contaminação ou perda de valor também é crucial para passar da subciclagem atual para o upcycle ou superciclagem.
Vale observar a importância do DESIGN PARA DESMONTAGEM para viabilizar os quatro modelos propostos acima. Para que um usuário possa consertar ou atualizar um produto ele mesmo, as partes precisam ser facilmente separadas e identificadas. Isso também é necessário para viabilizar modelos de remanufatura e redistribuição: o produto deve ser facilmente desmontado para que componentes possam ser substituídos e reaproveitados.
O design para desmontagem é igualmente importante para viabilizar economicamente a recuperação de materiais – seja pela reciclagem, ou pela compostagem – quando os componentes não puderem mais ser aproveitados. Ainda que o relatório mencionado foque em produtos do ciclo técnico, essa recuperação pode ser ainda para o ciclo biológico, devolvendo nutrientes de forma saudável para a biosfera. Através do design para a desmontagem, produtos que misturam componentes técnicos e biológicos podem ter seus materiais adequadamente separados e encaminhados para novos ciclos de uso e valor.
( Design > produção > compra e venda > use e devolva > upcycle > recicle >  design)

Então é isso galerinha, o que acharam desse assunto?

Ps.: Prometo que vou tentar postar mais seguido, e que depois que eu mandar arrumar meu celular vou colocar mais fotos no insta da Bookbug 💜
Beijoss!

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